Direito

MPF emite nota denunciando impacto negativo do fim das bulas impressas em medicamentos

MPF emite nota denunciando impacto negativo do fim das bulas impressas em medicamentos

Em uma nova nota técnica direcionada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ministério Público Federal expressou novamente sua preocupação com a possível extinção das bulas impressas em medicamentos comercializados no Brasil. O MPF reiterou sua posição contrária à eliminação das bulas impressas nos medicamentos brasileiros.

No dia 10 de julho, a agência reguladora aprovou uma proposta de resolução que autoriza o uso da bula digital em três cenários específicos: embalagens de medicamentos de uso hospitalar, distribuídos por profissionais de saúde; amostras grátis; e medicamentos em cartelas disponíveis em gôndolas de acesso livre em farmácias. A proposta da Anvisa garante o fornecimento da bula impressa mediante solicitação, mesmo nesses casos.

No entanto, a nota técnica do MPF questiona a falta de definição clara de responsabilidades no texto aprovado, como quem o usuário deve solicitar a bula, quem arcará com os custos de impressão e quem será responsável pela fiscalização pública em caso de descumprimento. Além disso, não foi avaliado o potencial aumento da judicialização se a bula impressa for recusada.

O Ministério Público Federal reforça a importância das bulas impressas e aponta para a fragilidade do Sistema Nacional de Medicamentos, que atualmente deixa para as próprias empresas farmacêuticas a responsabilidade de rastreabilidade dos produtos, aumentado os riscos de entrada de medicamentos de qualidade inferior e falsificados no mercado.

Diante disso, o MPF recomenda a criação de campanhas informativas em vez da extinção das bulas impressas, destacando a importância desse direito. A substituição da bula impressa pelo formato digital não é considerada recomendável, sendo indicada apenas para medicamentos de uso hospitalar ministrados por profissionais de saúde.

Os procuradores alertam que a disponibilização de amostras grátis pelos médicos em consultas poderá resultar na circulação livre de medicamentos sujeitos a controle especial, entre outros riscos. A bula é um documento legal de saúde voltado a profissionais e pacientes, contendo informações técnicas sobre os medicamentos e orientações sobre seu uso adequado, armazenamento, efeitos adversos e contraindicações.

O Ministério Público Federal questiona o processo de consulta pública realizado pela Anvisa, que teve manifestações contrárias à proposta de entidades importantes como o Conselho Nacional de Saúde e a Defensoria Pública da União. O MPF defende a aplicação de boas práticas regulatórias para garantir a participação, transparência e combate à automedicação.

A nota técnica foi produzida pela Câmara de Ordem Econômica e Consumidor (3CCR) e assinada pelos procuradores Hilton Melo e Victor Nunes de Carvalho, conforme informações da assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República.